Por Dr. Francisco Vaz — Neurocirurgião | Fellowship em University of Pittsburgh e Stanford University

O que é a hipófise?

A hipófise (ou glândula pituitária) é uma glândula do tamanho de uma ervilha localizada na base do cérebro, dentro de uma cavidade óssea chamada sela túrcica. Apesar do tamanho pequeno, é conhecida como a “glândula mestra” do corpo humano — ela controla outras glândulas e regula funções vitais como crescimento, metabolismo, reprodução e resposta ao estresse.

Quando um tumor se desenvolve na hipófise, pode causar dois tipos de problemas:

  1. Produção hormonal excessiva — levando a doenças como Cushing ou Acromegalia
  2. Compressão de estruturas vizinhas — especialmente os nervos ópticos (visão)

Tipos de tumores hipofitários

Adenomas funcionantes (produzem hormônio em excesso)

Prolactinoma (mais comum)

  • Produz prolactina em excesso
  • Sintomas: irregularidade menstrual, galactorreia, infertilidade, diminuição da libido
  • Tratamento inicial: geralmente medicamentoso (cabergolina)
  • Cirurgia: quando não responde ao tratamento clínico

Doença de Cushing

  • Adenoma que produz ACTH em excesso → cortisol elevado
  • Sintomas: ganho de peso central, face arredondada, estrias roxas, fraqueza muscular, hipertensão, diabetes
  • Tratamento: cirurgia é o tratamento de primeira escolha
  • A remoção do adenoma cura a maioria dos casos

Acromegalia

  • Adenoma que produz GH (hormônio do crescimento) em excesso
  • Sintomas: aumento de mãos e pés, alteração facial, dores articulares, cansaço, roncos
  • Tratamento: cirurgia é o tratamento de primeira escolha
  • Quando não é possível curar apenas com cirurgia, medicações complementam

Adenomas não-funcionantes

  • Não produzem hormônio em excesso
  • Sintomas surgem por compressão: perda visual, dor de cabeça
  • Cirurgia indicada quando há compressão visual ou crescimento progressivo

Craniofaringiomas

  • Tumores benignos mas de comportamento agressivo
  • Podem afetar a visão e a produção hormonal
  • Tratamento cirúrgico especializado

Como é feita a cirurgia de hipófise?

Cirurgia endoscópica transesfenoidal

A grande maioria das cirurgias de hipófise é realizada pela técnica endoscópica transesfenoidal — através do nariz, sem nenhum corte externo.

Como funciona:

  1. Uma câmera endoscópica de alta definição é introduzida pela narina
  2. Através do seio esfenoidal, o cirurgião acessa diretamente a hipófise
  3. O tumor é removido com instrumentos especializados
  4. A reconstrução é feita com materiais biológicos para selar a abertura

Vantagens da técnica endoscópica:

  • Sem cicatriz visível
  • Menor dor pós-operatória
  • Recuperação mais rápida (2-4 dias de internação)
  • Visão ampliada e detalhada com o endoscópio
  • Menor risco de dano às estruturas vizinhas

Esta é a técnica que aprendi e aperfeiçoei durante meus fellowships na University of Pittsburgh — um dos centros mundiais de referência em cirurgia endoscópica endonasal — e na Stanford University.

Resultados e recuperação

O que esperar após a cirurgia

  • Internação: 2-4 dias em média
  • Retorno ao trabalho: 2-4 semanas para atividades leves
  • Restrições nasais: evitar assoar o nariz por 4-6 semanas
  • Acompanhamento hormonal: dosagens regulares com endocrinologista
  • Ressonância de controle: 3 meses após a cirurgia

Taxas de sucesso

  • Doença de Cushing (microadenomas): taxa de remissão de 80-90% com cirurgião experiente
  • Acromegalia: remissão em 60-80% dos casos
  • Adenomas não-funcionantes: controle tumoral em mais de 90% dos casos

Quando procurar um especialista?

Procure avaliação neurocirúrgica se você apresenta:

  • Diagnóstico de tumor de hipófise em exame de imagem
  • Alterações visuais (perda de campo visual lateral)
  • Diagnóstico de Doença de Cushing ou Acromegalia
  • Prolactinoma que não responde a medicação
  • Dores de cabeça persistentes sem causa aparente
  • Alterações hormonais inexplicadas

A importância da equipe multidisciplinar

  • Neurocirurgião (especialista em base do crânio) — cirurgia
  • Endocrinologista — manejo hormonal pré e pós-operatório
  • Oftalmologista/Neuro-oftalmologista — avaliação e acompanhamento visual
  • Patologista — análise do tumor removido
  • Radioterapeuta — quando necessário complementar com radioterapia

FAQ — Perguntas Frequentes

Todo tumor de hipófise precisa de cirurgia?

Não. Prolactinomas geralmente respondem bem a medicação. Adenomas pequenos sem sintomas podem ser acompanhados. A cirurgia é indicada quando há sintomas visuais, produção hormonal descontrolada ou crescimento progressivo.

A cirurgia pelo nariz é segura?

Sim. A técnica endoscópica transesfenoidal é considerada segura e eficaz, com taxas de complicações baixas em mãos experientes. É o padrão-ouro mundial para a maioria dos tumores de hipófise.

Vou precisar de reposição hormonal após a cirurgia?

Depende. Se o tumor alterou a função normal da hipófise, pode ser necessário repor alguns hormônios após a cirurgia. O endocrinologista acompanha e ajusta conforme necessário.

A Doença de Cushing tem cura?

Sim, a cirurgia cura a maioria dos casos de Doença de Cushing causados por adenomas hipofitários. A taxa de remissão com cirurgião experiente é de 80-90% para microadenomas.

Posso fazer a consulta por telemedicina?

Sim. Ofereço consultas por telemedicina para avaliação inicial e segunda opinião. Caso a cirurgia seja indicada, a consulta presencial é necessária para o planejamento cirúrgico.

Este artigo foi escrito pelo Dr. Francisco Vaz, neurocirurgião com fellowship em cirurgia da base do crânio e hipófise pela University of Pittsburgh e Stanford University. CRM/PE 14597 | CRM/SP 113917.

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