O que é um Glioma?
Gliomas são tumores cerebrais que se originam das células gliais — as células de suporte do sistema nervoso central. Representam cerca de 30% de todos os tumores cerebrais e 80% dos tumores cerebrais malignos. O termo “glioma” abrange um espectro amplo de tumores, desde lesões de crescimento lento e comportamento benigno até tumores extremamente agressivos.
Classificação: Graus I a IV da OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os gliomas em quatro graus, baseando-se em características histológicas e moleculares:
- Grau I: crescimento lento, bem delimitado, potencialmente curável com cirurgia (ex: astrocitoma pilocítico)
- Grau II: crescimento lento mas infiltrativo, tendência à progressão ao longo dos anos (ex: oligodendroglioma, astrocitoma difuso)
- Grau III: comportamento maligno, crescimento mais rápido (ex: astrocitoma anaplásico, oligodendroglioma anaplásico)
- Grau IV (Glioblastoma — GBM): o mais agressivo dos tumores cerebrais primários, com sobrevida mediana de 14-17 meses com tratamento combinado
A partir de 2021, a classificação da OMS passou a integrar obrigatoriamente marcadores moleculares — IDH1/2, TERT, 1p/19q — que têm valor prognóstico e terapêutico fundamental.
Sintomas
Os sintomas dependem da localização e velocidade de crescimento. Os mais frequentes:
- Cefaleia progressiva — especialmente ao acordar, piorando ao longo das semanas
- Crises epilépticas — em até 60% dos gliomas de baixo grau
- Déficits neurológicos focais: fraqueza em um lado do corpo, alterações da linguagem, perda de campo visual
- Alterações cognitivas — dificuldade de memória, concentração, raciocínio
- Náuseas e vômitos por hipertensão intracraniana
Diagnóstico
Ressonância Magnética com Contraste
A RM com gadolíneo é o exame fundamental. Sequências específicas (FLAIR, T1, T2, DWI, espectroscopia, perfusão) fornecem informações sobre o tipo tumoral, grau e extensão. O padrão de realce ao contraste é um importante indicador de malignidade.
Biópsia e Análise Molecular
O diagnóstico definitivo requer análise histopatológica do tecido tumoral, complementada por painel molecular obrigatório: mutação IDH, codeleção 1p/19q, metilação MGMT, amplificação EGFR, entre outros. Esses marcadores determinam prognóstico e influenciam diretamente a decisão terapêutica.
Tratamento
Cirurgia — A Base do Tratamento
A ressecção cirúrgica máxima segura é o primeiro passo no tratamento da maioria dos gliomas. Estudos consistentemente demonstram que quanto maior a extensão da ressecção (mantendo função neurológica), melhor o prognóstico.
Tecnologias que maximizam ressecção segura:
- Neuronavegação — orientação em tempo real
- Monitoramento neurofisiológico intraoperatório — preserva motricidade e linguagem
- Fluorescência com 5-ALA — contraste oral que faz o tumor “brilhar” em luz ultravioleta, permitindo ressecção mais completa
- Acordar o paciente durante a cirurgia (cirurgia acordado) — para tumores em áreas eloquentes como a do discurso
Radioterapia e Quimioterapia
Para gliomas de alto grau, a cirurgia é seguida de radioterapia e quimioterapia com temozolomida (protocolo de Stupp). Para gliomas IDH-mutados de baixo grau, a conduta depende de fatores de risco clínicos e moleculares.
Glioblastoma: Perspectiva Honesta
O glioblastoma (grau IV) é o tumor cerebral primário mais desafiador da medicina. A sobrevida mediana com o melhor tratamento disponível é de 14-17 meses, com 5% dos pacientes sobrevivendo 5 anos. No entanto, a biologia do GBM é altamente heterogênea — alguns pacientes respondem muito melhor que outros.
Ensaios clínicos com imunoterapia, terapias alvo moleculares e campos elétricos tumorais (Optune) representam frentes ativas de pesquisa. Centros com maior volume cirúrgico e acesso a ensaios clínicos oferecem as melhores perspectivas.
Perguntas Frequentes
Glioma é câncer cerebral?
Depende do grau. Gliomas de baixo grau (I e II) são tecnicamente benignos do ponto de vista celular, mas infiltrativos. Gliomas de alto grau (III e IV) são tumores malignos.
A cirurgia pode curar um glioma?
Para gliomas grau I (como o astrocitoma pilocítico) em localização acessível, a cirurgia pode ser curativa. Para gliomas difusos de qualquer grau, a cura cirúrgica não é possível — o objetivo é máxima ressecção segura seguida de tratamento complementar.
Posso fazer segunda opinião antes de operar?
Sempre. Especialmente para gliomas, onde a indicação cirúrgica, a abordagem e o momento da intervenção variam entre centros. A segunda opinião pode incluir reavaliação das imagens e do resultado histopatológico.
O Dr. Francisco Vaz opera tumores cerebrais com neuronavegação e monitoramento neurofisiológico. Formação em Pittsburgh, Stanford e Baylor. Atendimentos em Recife e São Paulo, telemedicina disponível.
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