Histórias de Coragem

Relatos reais de pacientes que enfrentaram condições neurocirúrgicas e hoje vivem suas vidas com plenitude, publicados com autorização expressa e revisão ética rigorosa.

Receber um diagnóstico neurocirúrgico é um momento que transforma a vida do paciente e de toda a sua família. O medo do desconhecido, as dúvidas sobre o tratamento e a incerteza sobre o futuro são sentimentos que nenhum laudo médico consegue acolher sozinho. É exatamente para isso que esta seção existe.

Maria, 59 anos, Recife

Diagnóstico: Tumor de hipófise — Acromegalia

Durante quase oito anos, eu não entendia o que estava acontecendo com o meu corpo. Minhas mãos foram crescendo devagar, minha aliança ficou apertada, meus sapatos não serviam mais. Fui engordando no rosto de uma forma que eu não reconhecia quando me olhava no espelho. Sentia dores de cabeça que me paralisavam por horas. Passei por cinco médicos diferentes. Nenhum conectou os pontos. Ouvi que eram questões hormonais do envelhecimento, que era estresse, que era ganho de peso. A palavra “acromegalia” eu fui descobrir na internet, sozinha, às três da manhã, depois de meses de pesquisa.

Quando finalmente consegui um endocrinologista que pediu o IGF-1 e a ressonância, o diagnóstico foi imediato: tumor de hipófise de 18mm. O Dr. Francisco mostrou as imagens, explicou cada detalhe com uma paciência que eu nunca tinha visto num médico, e apresentou a abordagem endoscópica transesfenoidal minimamente invasiva, aperfeiçoada em centros de referência nos EUA.

A cirurgia durou pouco mais de duas horas. Fiquei dois dias internada. Em seis meses, minha pressão arterial estava controlada e meu IGF-1 voltou ao normal. Dois anos depois, estou curada. Uso minha aliança de novo. Mas o que carrego com mais gratidão não é só a cura física. É a sensação de que finalmente alguém me ouviu de verdade.

“Oito anos sem diagnóstico. Dois dias de internação. Uma vida inteira de volta.”

Roberto, 67 anos, São Paulo

Diagnóstico: Hérnia de disco cervical — mielopatia

Passei 35 anos como engenheiro civil. Quando a formigação no braço direito começou, achei que era postura. Quando perdi força para segurar uma xícara de café fui ao ortopedista. A ressonância mostrou duas hérnias cervicais volumosas (C5-C6 e C6-C7) comprimindo a medula espinhal. O neurologista disse que sem cirurgia eu poderia perder a coordenação motora progressivamente. Ouvi a palavra “paralisia” e senti o chão sumir.

Busquei três opiniões antes de chegar ao Dr. Francisco. Ele sentou comigo, mostrou as imagens no computador, e explicou por que cada abordagem tem suas indicações. No meu caso, a via anterior com artrodese era a mais adequada. Ele também foi honesto: era uma cirurgia com risco, mas o risco de não operar era muito maior e mais certo. Essa honestidade me deu a segurança que eu precisava.

Acordei no apartamento do hospital com o braço direito funcionando. Chorei. Em quatro meses de reabilitação, voltei às obras. Hoje, aos 67 anos, subo andaime, seguro prancha, faço o que sempre fiz. Para quem está passando por isso: a mielopatia cervical grave tem tratamento. Não espere para procurar alguém que realmente saiba o que está fazendo.

“Acordei da anestesia e apertei a mão da minha esposa com força. Esse foi o momento mais feliz da minha vida.”

Fernanda, 38 anos, Feira de Santana (atendida em Recife)

Diagnóstico: Aneurisma cerebral não roto — artéria oftálmica e cerebral média esquerda

Eu tinha 38 anos, dois filhos e um emprego que amava. Fui descobrir os aneurismas numa ressonância de rotina. Era uma dilatação de 6mm na artéria oftálmica e outra quase do mesmo tamanho na artéria cerebral média. Minha cardiologista ficou pálida e disse: “Fernanda, você precisa ver um neurocirurgião que trate aneurismas. Não amanhã. Hoje.” Fui para casa e fiz a coisa que ninguém deveria fazer antes de consultar um especialista: pesquisei no Google. Não dormi naquela noite.

Inicialmente fiz uma teleconsulta e depois viajei para conversar pessoalmente com o Dr. Francisco. Ele analisou os exames com calma e me explicou que esses aneurismas têm indicação de tratamento. Ele mostrou estatísticas, publicações, casos semelhantes. Não me prometeu que não haveria risco. Prometeu que faria tudo com a máxima excelência técnica disponível. Me senti com medo, mas ao mesmo tempo segura.

A clipagem foi realizada em Recife. Fiquei quatro dias internada, voltei para Feira de Santana duas semanas depois e cerca de um mês após eu já estava trabalhando. Os aneurismas estão clipados, definitivamente excluídos da circulação. Meus filhos têm uma mãe. Para quem me pergunta se valeu a pena viajar para Recife para ser tratada pelo doutor: quando você encontra o médico certo, a distância é irrelevante.

“Viajei pela minha vida e valeu cada quilômetro.”

Por que histórias de pacientes fazem diferença

Pesquisas em psicologia médica mostram que pacientes que têm acesso a relatos de outros pacientes apresentam resultados consistentemente melhores:

  • Menor ansiedade pré-operatória: saber que outros passaram pelo mesmo procedimento e se recuperaram bem reduz o medo
  • Melhor adesão ao tratamento: compreender a jornada completa ajuda o paciente a se preparar e colaborar ativamente com a equipe médica
  • Expectativas mais realistas: relatos honestos sobre a recuperação permitem planejar o pós-operatório com mais tranquilidade
  • Senso de comunidade: saber que não está sozinho é um dos pilares do bem-estar emocional durante o tratamento

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