O que é Neuropatia Periférica?

A neuropatia periférica é uma condição que afeta os nervos fora do cérebro e da medula espinhal — o chamado sistema nervoso periférico. Esses nervos são responsáveis por transmitir sinais motores (movimento), sensitivos (tato, dor, temperatura) e autonômicos (funções automáticas do organismo).

Estima-se que mais de 20 milhões de brasileiros apresentam alguma forma de neuropatia periférica, sendo o diabetes mellitus a causa mais frequente.

Causas Mais Comuns

  • Diabetes mellitus: neuropatia diabética é a mais prevalente, afetando até 50% dos diabéticos de longa data
  • Compressão mecânica: síndrome do túnel do carpo, síndrome do túnel cubital, meralgia parestésica
  • Tumores: schwannomas, neurofibromas, tumores malignos de bainha de nervo periférico
  • Trauma: lacerações, fraturas com lesão nervosa, lesões por tração
  • Doenças autoimunes: síndrome de Guillain-Barré, CIDP
  • Deficiências nutricionais: vitamina B12, B6, E
  • Alcoolismo crônico
  • Hereditárias: doença de Charcot-Marie-Tooth

Sintomas da Neuropatia Periférica

Os sintomas variam conforme o tipo de fibra nervosa afetada:

Sintomas Sensitivos

  • Dormência ou formigamento (parestesia), frequentemente nas mãos e pés
  • Sensação de “agulhadas” ou “choque elétrico”
  • Dor em queimação, especialmente à noite
  • Hipersensibilidade ao toque (alodinia)
  • Perda da sensação de temperatura ou dor

Sintomas Motores

  • Fraqueza muscular progressiva
  • Dificuldade para segurar objetos (mão em garra)
  • Atrofia muscular
  • Câimbras e espasmos

Sintomas Autonômicos

  • Sudorese excessiva ou ausente
  • Alterações da pressão arterial ao ficar em pé
  • Disfunção intestinal ou urinária

Neuropatias por Compressão: Quando o Neurocirurgião Atua

As neuropatias compressivas são causadas pelo aprisionamento do nervo em estruturas anatômicas — e frequentemente têm tratamento cirúrgico com excelentes resultados.

Síndrome do Túnel do Carpo

A mais comum das neuropatias compressivas. O nervo mediano é comprimido no punho, causando dormência e formigamento nos dedos polegar, indicador, médio e parte do anular. A descompressão cirúrgica (neurolise do nervo mediano) tem taxa de sucesso superior a 90%.

Síndrome do Túnel Cubital

Compressão do nervo ulnar no cotovelo, causando dormência nos dedos mínimo e anular, fraqueza da mão e deformidade em garra. Resolução cirúrgica na maioria dos casos.

Síndrome do Túnel do Tarso

Compressão do nervo tibial posterior no tornozelo, causando dor e formigamento na planta do pé.

Meralgia Parestésica

Compressão do nervo cutâneo lateral da coxa na região inguinal, causando dormência e dor na face lateral da coxa.

Diagnóstico

O diagnóstico envolve:

  • Exame clínico neurológico detalhado: avaliação sensitiva e motora, reflexos, testes específicos (Phalen, Tinel)
  • Eletroneuromiografia (ENMG): mede a velocidade e a amplitude dos sinais elétricos nos nervos e músculos — exame fundamental para confirmar e localizar a lesão
  • Ultrassonografia de nervos: visualiza a morfologia do nervo e identifica compressões
  • Ressonância magnética: avalia tumores de nervo periférico e lesões estruturais associadas

Tratamento Cirúrgico das Neuropatias Compressivas

A cirurgia é indicada quando:

  • O tratamento conservador (órteses, fisioterapia, infiltrações) não resolve após 3-6 meses
  • Há déficit motor (fraqueza ou atrofia muscular)
  • A ENMG mostra compressão moderada a grave
  • Os sintomas impactam significativamente a qualidade de vida

Os procedimentos cirúrgicos incluem neurolise (liberação do nervo), ressecção de tumores (schwannomas, neurofibromas) e, em casos de lesão traumática, sutura nervosa ou enxerto.

Prognóstico e Recuperação

Para neuropatias compressivas, a recuperação pós-cirúrgica varia de acordo com o tempo de compressão e o grau de lesão nervosa:

  • Sintomas sensitivos (dormência, dor): melhora em semanas a poucos meses
  • Déficits motores (fraqueza, atrofia): recuperação mais lenta, podendo levar de 6 a 18 meses, pois depende da regeneração axonal (1 mm/dia)

“O diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais tempo o nervo fica comprimido, mais difícil é a recuperação completa. Não ignore dormência e formigamento persistentes — procure avaliação especializada.”
— Dr. Francisco Vaz, Neurocirurgião

Consulta com Neurocirurgião Especialista em Nervos Periféricos

O Dr. Francisco Vaz realiza diagnóstico e tratamento cirúrgico de neuropatias compressivas e tumores de nervos periféricos, com atendimento em São Paulo (Hospital Einstein, Santa Catarina, Vila Nova Star) e Recife (Real Hospital Português, Hospital Esperança).

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