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  • Prolactinoma: O Tumor de Hipófise Mais Comum e Como Tratar

O prolactinoma é o tipo mais frequente de adenoma hipofisário, representando cerca de 40% de todos os tumores da hipófise. Trata-se de um tumor benigno que produz prolactina em excesso, um hormônio normalmente responsável pela produção de leite materno. Embora geralmente benigno, o prolactinoma pode causar sintomas hormonais significativos e, quando atinge tamanhos maiores, comprimir estruturas cerebrais vizinhas.

O que é a hipófise e por que o prolactinoma ocorre?

A hipófise é uma glândula do tamanho de uma ervilha, localizada na base do cérebro, dentro de uma estrutura óssea chamada sela túrcica. Apesar de pequena, ela é considerada a “glândula mestra” do corpo, pois produz hormônios que controlam o funcionamento de diversas outras glândulas.

No prolactinoma, um grupo de células da hipófise (chamadas lactotrofos) começa a se multiplicar de forma descontrolada e a produzir prolactina em excesso. A causa exata dessa multiplicação celular ainda não é completamente compreendida, mas envolve mutações genéticas esporádicas nas células hipofisárias.

Classificação por tamanho

Os prolactinomas são classificados conforme seu diâmetro:

  • Microprolactinoma (menos de 10 mm) — o mais comum, geralmente confinado dentro da sela túrcica. Mais frequente em mulheres jovens
  • Macroprolactinoma (10 mm ou mais) — pode se estender para fora da sela túrcica, comprimir o quiasma óptico e causar alterações visuais. Mais frequente em homens
  • Prolactinoma gigante (acima de 40 mm) — raro, com extensão significativa para estruturas adjacentes. Apresenta desafios terapêuticos específicos

Sintomas do prolactinoma

Os sintomas variam conforme o sexo do paciente, o tamanho do tumor e o nível de prolactina:

Em mulheres

  • Irregularidade menstrual ou amenorreia — ausência de menstruação é frequentemente o primeiro sinal
  • Galactorreia — produção de leite fora do período de amamentação
  • Infertilidade — a hiperprolactinemia inibe a ovulação
  • Redução da libido — diminuição do desejo sexual
  • Ressecamento vaginal — por deficiência estrogênica secundária
  • Perda de massa óssea — osteopenia ou osteoporose a longo prazo

Em homens

  • Disfunção erétil — frequentemente o sintoma que leva ao diagnóstico
  • Redução da libido — diminuição progressiva do interesse sexual
  • Infertilidade — redução da produção de testosterona e espermatozoides
  • Ginecomastia — aumento das mamas em alguns casos
  • Galactorreia — rara em homens, mas possível

Como os sintomas hormonais nos homens são mais sutis e inespecíficos, o diagnóstico tende a ser mais tardio, e os tumores costumam ser maiores no momento da descoberta.

Sintomas por compressão (macroprolactinomas)

  • Alterações visuais — perda de visão periférica (hemianopsia bitemporal) por compressão do quiasma óptico
  • Dor de cabeça — cefaleia persistente por distensão da sela túrcica
  • Insuficiência hipofisária — comprometimento da produção de outros hormônios quando o tumor comprime o tecido hipofisário normal

Diagnóstico

O diagnóstico do prolactinoma envolve:

  • Dosagem de prolactina sérica — níveis elevados (geralmente acima de 100 ng/mL em macroprolactinomas e acima de 200 ng/mL em tumores maiores) são altamente sugestivos. Importante: existe correlação entre o nível de prolactina e o tamanho do tumor
  • Ressonância magnética (RM) da sela túrcica — exame de imagem principal, que mostra o tumor, seu tamanho, sua relação com o quiasma óptico e estruturas vasculares
  • Avaliação hormonal completa — dosagem de outros hormônios hipofisários (TSH, ACTH, GH, FSH, LH) para avaliar a função global da glândula
  • Campimetria visual — exame do campo visual, essencial em macroprolactinomas que se aproximam do quiasma óptico

Atenção ao “efeito gancho”: em macroprolactinomas muito grandes, a prolactina pode ser tão elevada que o exame laboratorial reporta um valor falsamente normal ou apenas moderadamente elevado. Este fenômeno, chamado “efeito gancho”, pode levar a erros diagnósticos. Quando há um macroadenoma e a prolactina não está proporcionalmente elevada, deve-se solicitar a diluição da amostra.

Tratamento

Tratamento medicamentoso (primeira linha)

Diferentemente de outros tumores cerebrais, o prolactinoma tem uma peculiaridade: na grande maioria dos casos, o tratamento inicial é medicamentoso, não cirúrgico. Os agonistas dopaminérgicos são a terapia de primeira linha:

  • Cabergolina — medicamento mais utilizado, tomado 1 a 2 vezes por semana, com excelente taxa de normalização da prolactina (acima de 85%) e redução tumoral significativa
  • Bromocriptina — alternativa mais antiga, necessita de administração diária e apresenta mais efeitos colaterais, mas pode ser preferida durante a gestação

O tratamento medicamentoso costuma normalizar os níveis de prolactina, restaurar a função reprodutiva e reduzir o tamanho do tumor em semanas a meses. A resposta ao tratamento é monitorada com dosagens seriadas de prolactina e ressonância magnética de controle.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia para prolactinoma é reservada para situações específicas:

  • Resistência ou intolerância aos medicamentos — quando a cabergolina não normaliza a prolactina ou causa efeitos colaterais intoleráveis
  • Apoplexia hipofisária — sangramento agudo dentro do tumor, que pode ser uma emergência neurocirúrgica
  • Compressão visual aguda — quando a perda visual é rápida e não há tempo para aguardar o efeito do medicamento
  • Fístula liquórica — vazamento de líquor pelo nariz durante o tratamento medicamentoso (raro)
  • Preferência do paciente — em microprolactinomas, alguns pacientes preferem a cirurgia ao uso prolongado de medicamentos

Técnica cirúrgica

Quando indicada, a cirurgia é realizada preferencialmente pela via transesfenoidal endoscópica — uma abordagem minimamente invasiva que acessa a hipófise através do nariz, sem incisões externas e sem manipulação do cérebro. O Dr. Francisco Vaz realizou treinamento específico nesta técnica durante seu fellowship no UPMC Pittsburgh, um dos centros de referência mundial em cirurgia endoscópica da base do crânio.

Vantagens da abordagem endoscópica:

  • Sem cicatriz externa
  • Visualização ampliada e detalhada da hipófise e estruturas adjacentes
  • Menor risco de lesão de estruturas normais
  • Recuperação mais rápida (geralmente 2 a 3 dias de internação)
  • Possibilidade de preservar a função hipofisária normal

Acompanhamento a longo prazo

O prolactinoma requer acompanhamento regular, mesmo quando o tratamento é bem-sucedido:

  • Dosagens periódicas de prolactina — a cada 3 a 6 meses inicialmente, depois anualmente
  • Ressonância magnética de controle — geralmente anual nos primeiros anos, depois em intervalos maiores conforme a evolução
  • Avaliação hormonal global — para monitorar a função hipofisária completa
  • Avaliação oftalmológica — em macroprolactinomas, campimetria periódica até a estabilização

Em muitos casos de microprolactinoma, é possível reduzir gradualmente e eventualmente suspender a medicação após alguns anos de controle adequado, com monitoramento cuidadoso para detectar recidiva precoce.

Quando procurar um especialista?

Se você apresenta sintomas como irregularidade menstrual persistente, galactorreia, disfunção erétil sem causa aparente, infertilidade ou alterações visuais, procure avaliação especializada. A dosagem de prolactina é um exame simples que pode direcionar o diagnóstico.

O Dr. Francisco Vaz é neurocirurgião especializado em cirurgia de hipófise, com fellowship no UPMC Pittsburgh — um dos maiores centros de cirurgia endoscópica da base do crânio do mundo. Atua em equipe multidisciplinar com endocrinologistas para oferecer o tratamento mais adequado a cada paciente.

Agende sua consulta presencial em Recife ou São Paulo, ou por teleconsulta para pacientes de outras regiões.

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